“Silencio os dedos, os lábios. Se não falo, não escrevo; se não escrevo, não existe; se não existe não me dói. Mas tá ai, por aí escondido entre os nós do cabelo breu. Cada palavra que não foi dita, que não foi sequer trocada pelos olhos: Tudo preso, corroendo sinais vitais. Silêncio! Deveria doer tanto? O mistério não ofusca mais, não existe mais a ideia inicial: “Se não escrevo, não existe; se não existe não me dói.” Escrevo por pura teimosia, me dói por ser sua vocação. Sua rotina é machucar, angustiar e fazer o coração dar solavancos. Silêncio! Pior que que o tamborilar dos dedos. Mistério! Palavras que não foram ditas, há quem diga que é melhor esquecer. Silencio misterioso, fragmentado em duvidas. Um sussurro: Saudade.”